Chakras e Energia

O corpo subtil, cartografado

Os textos tântricos descrevem uma segunda anatomia sobreposta à física: rodas ao longo da coluna, canais que as alimentam, ventos que as percorrem, invólucros que as contêm. Esta biblioteca dá a cada parte desse mapa uma página própria, com a tradição de onde veio e a prática que trabalha sobre ela.

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entradas cartografadas
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camadas de anatomia
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tradições

Explorar por tradição

Ninguém inventou os chakras de uma só vez. As listas variam consoante o século e a escola, e é nessas diferenças que está o interesse.

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Tantrismo shaiva e shakta

Caxemira e Bengala c. 800 a 1200 d.C.

A linhagem que produziu o sistema de seis centros, para começar. O Kubjikamata e o Netra Tantra contam centros aos cincos, aos seis e aos noves antes de alguma coisa assentar.

🧘

Hatha yoga

Norte da Índia Séculos XI a XV

Manuais como o Hatha Yoga Pradipika e a Shiva Samhita levam os centros da visualização para a prática física: retenção da respiração, fechos, selos.

📜

O texto dos seis chakras

Bengala 1577

O Shat-chakra-nirupana de Purnananda fixou pétalas, letras, sons semente e divindades na lista que o mundo moderno herdou, através da tradução de Arthur Avalon de 1919.

🐍

Kundalini yoga

Índia e diáspora Da Idade Média à atualidade

Prática organizada em torno da elevação da energia enrolada na base da coluna através de cada centro, um a um, e em torno dos nós que lhe resistem.

🦶

Os siddhas Natha

Norte da Índia A partir do século XII

A linhagem de Gorakhnath e o Siddha Siddhanta Paddhati, que mapeia dezasseis adharas: pontos físicos de apoio, dos dedos dos pés ao palato, usados para enraizar e não para ascender.

☸️

Vajrayana budista

Tibete e Himalaia A partir do século VIII

Cinco rodas em vez de sete, com contagens de pétalas próprias, um canal central chamado avadhuti e o coração como sede da mente. O fogo interior de tummo, no umbigo, move os Seis Yogas de Naropa.

🌿

Ayurveda e marma

Índia Da era clássica aos nossos dias

A tradição médica que partilha o vocabulário do prana e acrescenta 107 pontos marma, junções tratadas pelo toque e não pela meditação.

☯️

Alquimia interna taoista

China A partir do século II

Três dantian e a órbita microcósmica. Desenvolveu-se independentemente dos chakras e é comparada com eles demasiado depressa.

🪡

Teoria dos meridianos

China A partir da dinastia Han

Doze canais principais e oito vasos extraordinários que conduzem qi. O análogo mais próximo dos nadis no Extremo Oriente, com literatura clínica por trás.

🔮

A síntese teosófica

Londres e Adyar 1880 a 1930

Onde as fontes sânscritas se cruzaram com o ocultismo ocidental. The Chakras (1927), de Leadbeater, deu aos centros cores, glândulas e um aspeto rotativo.

🌈

O modelo ocidental do arco-íris

Europa e América do Norte A partir da década de 1970

Sete centros, sete cores do espectro, sete temas psicológicos. Popular, útil e mais recente do que a maioria das pessoas supõe.

🤲

Reiki e cura pelas mãos

Japão A partir de 1922

O sistema de Usui chegou sem chakras e adquiriu-os no Ocidente. Hoje, a maioria das formações de Reiki ensina os sete centros como matéria corrente.

Explorar por prática

O que as pessoas fazem de facto com o mapa: respiração, som, postura, atenção, toque.

🧠

Meditação nos chakras

atenção

Manter a atenção num centro, com ou sem a sua imagem, cor e som semente. A prática mais antiga desta lista e ainda a base de todas as outras.

🌬️

Pranayama

respiração

Trabalho respiratório dirigido aos canais e não aos pulmões. A respiração alternada pelas narinas é a forma quotidiana da prática de ida e pingala.

🔊

Canto de mantras semente

som

LAM, VAM, RAM, YAM, HAM. Uma sílaba por centro, cantada em voz alta ou em silêncio, sentida como vibração na região que nomeia.

🤞

Mudras e bandhas

fechos

Selos das mãos e fechos internos que redirecionam pressão e atenção. Mula bandha na base, uddiyana no umbigo, jalandhara na garganta.

🤸

Sequências de asanas

postura

Posturas agrupadas pela região que abrem: trabalho de ancas para os centros inferiores, extensões para o coração, inversões para a cabeça.

😴

Yoga nidra

rotação

Rotação guiada da consciência pelo corpo, muitas vezes seguindo os centros por ordem. Deitado, sem esforço, à beira do sono.

💎

Trabalho com cores e cristais

moderno

Pedras e cores associadas aos centros, colocadas sobre o corpo ou seguras na mão. Uma camada do século XX sobre um mapa muito mais antigo, e uma porta de entrada popular.

🎵

Som e taças tibetanas

som

Taças, gongos e diapasões afinados para os centros. Os esquemas de afinação são invenções modernas; o efeito de um som sustentado sobre a atenção não é.

🤲

Cura energética pelas mãos

toque

Reiki, terapia de polaridade e afins: mãos pousadas sobre o corpo ou acima dele, centro a centro. Complemento aos cuidados médicos, nunca substituto.

👁️

Varrimento e leitura da aura

perceção

Sentir o campo à volta de uma pessoa com a mão ou com a vista, habitualmente camada a camada. A prática mais subjetiva desta lista e aquela que mais vale a pena confirmar por outras vias.

Uma segunda anatomia

A palavra chakra significa roda. Nos textos sânscritos que a usam neste sentido pela primeira vez, por volta do século VIII, designa um ponto do corpo onde o praticante se concentra: não um órgão, não um plexo nervoso, mas um lugar onde se coloca a atenção e onde algo acontece. Ao longo dos quatrocentos anos seguintes, esses pontos foram contados, nomeados, dotados de pétalas, letras e sílabas, e dispostos ao longo da coluna na escada que hoje quase toda a gente imagina.

A escada nunca foi a única versão. O Kubjikamata Tantra trabalha com cinco centros, o Netra Tantra com um conjunto diferente, os tantras budistas com quatro. Alguns sistemas colocam o centro mais alto no palato, outros inteiramente acima da cabeça. Os sete familiares, com as suas cores e as suas palavras-chave psicológicas, vêm de uma cadeia de transmissão concreta: o Shat-chakra-nirupana de Purnananda, de 1577, traduzido por Arthur Avalon em 1919 como The Serpent Power, lido pelos teosofistas e convertido em arco-íris pelo movimento do potencial humano na década de 1970.

O que esta biblioteca abrange

Cada uma das cinco secções abaixo reúne um tipo de coisa, e cada entrada tem a sua própria página.

Os centros são as próprias rodas. Sete principais, da base da coluna à coroa, e cinco secundários que surgem nas fontes mais antigas sem alguma vez se tornarem padrão: bindu na parte de trás da cabeça, hrit abaixo do coração, lalana no palato mole, manas e soma na região da testa.

Os nadis são os canais por onde o prana se move. A Shiva Samhita conta 350.000 deles e nomeia depois catorze que importam. Três desses catorze fazem quase todo o trabalho: sushumna pelo eixo da coluna, ida e pingala enrolando-se à sua volta.

Os vayus são o prana ordenado por direção. O prana entra, o apana desce e sai, o samana reúne-se no umbigo, o udana sobe, o vyana espalha-se por toda a parte. Cinco ventos secundários tratam do pestanejar, do bocejo, do espirro, da fome e do que permanece depois da morte.

Os koshas são cinco invólucros, do corpo feito de alimento ao invólucro da bem-aventurança. O quadro vem da Taittiriya Upanishad e dá às outras quatro secções onde assentar.

As camadas da aura são o material mais recente aqui reunido, vindo da Teosofia e da prática de cura do século XX. Estão incluídas porque são aquilo que o ensino moderno dos chakras de facto pressupõe, e porque dizer de onde veio uma ideia é mais útil do que fingir que sempre lá esteve.

Como ler as correspondências

Cada centro deste site traz uma tabela: elemento, som semente, número de pétalas, cor, glândula associada. Algumas dessas colunas são antigas e estáveis. As contagens de pétalas e as letras sânscritas remontam aos textos medievais e quase não variam. Outras são recentes. O esquema de cores do arco-íris é do século XX, as associações com as glândulas vêm de Leadbeater e dos seus leitores, e o mapeamento endócrino é uma analogia e não uma afirmação sobre fisiologia.

Assinalamos o que é o quê em cada página. Uma tradição fica mais interessante quando se conseguem ver as suas costuras.

Uma nota sobre saúde

O trabalho energético acompanha os cuidados médicos. Nada nesta biblioteca diagnostica, trata ou substitui tratamento, e nenhuma prática aqui descrita deve adiar uma ida ao médico por causa de um sintoma. Os centros são um mapa para a atenção e para o autoconhecimento. Usados dessa forma, são duradouros e vale a pena aprendê-los. Usados como medicina, não são.

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