Runas: Semana de segunda-feira, 14 de setembro

Uma runa de cada um dos quatro alfabetos

Ingwaz é o deus Ing, e o poema anglosajão resume toda a história: visto primeiro entre os dinamarqueses do leste, até que partiu sobre as ondas com a sua carruagem a segui-lo. Esta é a runa daquilo que esteve fechado e guardado, e que agora tem de ser transportado para fora. Algo em que tens trabalhado em silêncio atinge esta semana o ponto em que já não pode continuar no casulo. A tentação será mantê-lo resguardado durante mais algum tempo, a pretexto de aperfeiçoar os detalhes. Não o faças. A carruagem parte quando estiver pronta, e o que ela transporta ganha utilidade apenas quando chega à estrada aberta.

Sól é o sol, e o poema norueguês chama-lhe a luz das terras, acrescentando que o crente se curva perante o julgamento divino. O sol do Futhark Recente não é a referência do navegador da runa antiga; é o calor que põe termo à geada, quer estivesses preparado para isso quer não. Esta semana algo descongela. Uma situação retida pela frieza, tua ou alheia, começa a mexer-se, e esse movimento não está sob o comando de ninguém. Não tentes arrefecer as coisas à força. Descobre o que se tornou viável agora que não era viável na semana anterior, e tem em conta que o chão estará mole sob os teus passos.

Ing foi visto pela primeira vez entre os dinamarqueses do leste, diz o poema inglês, e depois partiu sobre as ondas com a sua carruagem atrás de si. A letra anglosajã guarda ambas as vertentes: o potencial resguardado e a partida em torno da qual todos continuam organizados. Esta semana uma etapa atinge a sua conclusão. Pode não parecer um desfecho porque a carruagem ainda não arrancou, e terás a tentação de abrir a tampa antes do tempo para espreitares o interior. Mantém-na fechada. O que a runa promete chega por inteiro e na hora exata, e cada olhar apressado perde uma parte da carga.

Onn é o freixo, e as tradições poéticas recordam-no como o auxiliar dos cavalos e o recurso dos guerreiros: a haste da lança, a roda da carruagem, aquilo que te transporta e que também pode magoar. Esta semana a madeira de freixo está debaixo de ti. Algo está a fazer-te avançar a uma velocidade superior àquela que terias escolhido e a viagem não é inteiramente confortável. Não saltes da carruagem a meio do caminho. A árvore que te carrega é do mesmo tronco que a lança, e a arte desta semana consiste em cavalgar aquilo que te poderia cortar sem te deixares ferir. Segura-te bem às tábuas, fixa o olhar na estrada e deixa a roda girar.

Para o teu signo

A mesma leitura, interpretada para cada signo do zodíaco.

Carneiro

A carruagem parte sobre as águas. Algo que esteve guardado em silêncio atinge a maturidade e inicia o seu caminho; não tentes precipitar a despedida.

Touro

A semente concluiu o seu tempo na terra escura. Aceita que o período de gestação terminou e deixa que o novo ciclo se ponha em marcha.

Gémeos

O que estava selado começa a manifestar-se. Fala apenas quando a partida estiver consumada e guarda o essencial até lá.

Caranguejo

Um processo íntimo e protegido chega ao momento de seguir viagem. Liberta-o com carinho e sem apego sufocante.

Leão

Ingwaz fala de um valor profundo que dispensou holofotes. Agora que se move para o exterior, deixa que a sua qualidade fale por si.

Virgem

A gestação foi cuidada com minúcia. Confia na solidez do que foi preparado e não tentes inspecionar a carga a meio do caminho.

Balança

O equilíbrio da contenção deu frutos. A saída da carruagem restabelece o fluxo natural das coisas; acompanha a marcha com tranquilidade.

Escorpião

O que foi maturado nas profundezas está pronto para emergir. Permite que saia à luz sem receio de perderes o controlo sobre ele.

Sagitário

A viagem começa do interior para o exterior. Não corras à frente da carruagem; respeita o andamento que ela já traz.

Capricórnio

Um trabalho paciente que esteve resguardado ganha agora o seu rumo próprio. Reconhece o fim de uma longa etapa preparatória.

Aquário

A ideia que esteve confinada ganha asas e desliga-se do seu criador. Deixa-a circular sem tentares prender o seu destino.

Peixes

A transformação silenciosa que operaste em ti pede agora expressão concreta. Confia no que cultivaste no segredo do coração.

Para o teu animal chinês

A mesma leitura, interpretada para cada animal do zodíaco chinês.

Rato

O fardo esteve bem guardado até agora. Deixa-o seguir viagem sem tentares reter uma parte só por apego.

Boi

O descanso do inverno deu força à terra. Prepara-te para ver avançar aquilo em que trabalhaste sem ninguém ver.

Tigre

Não arranques a tampa antes da hora. A carruagem parte quando estiver pronta; a tua impaciência só prejudicaria a carga.

Coelho

Guardar as coisas em segurança é o teu talento natural. O segredo foi mantido e agora o processo pode seguir livremente.

Dragão

Não exijas um cortejo régio para esta saída. Deixa que o valor do conteúdo se imponha sem artifícios de grandeza.

Serpente

Mantiveste o selo inviolado com mestria. Agora liberta a pressão e deixa que o projeto ganhe o seu curso no mundo.

Cavalo

A carruagem ainda não partiu e tu já estás longe. Volta para trás; o que vale a pena transportar ainda pede presença.

Cabra

Pára de pedir confirmação a outros sobre a segurança do fecho. Confia na tua própria guarda e sossega o coração.

Macaco

Não tentes espreitar por uma frincha para ver se a semente já abriu. Deixa o mistério completar o seu percurso em paz.

Galo

Não queiras auditar o conteúdo mesmo à beira da partida. O trabalho foi bem feito; deixa a carga chegar ao destino para avaliares.

Cão

Fizeste bem a tua guarda à carruagem. Agora o dever é deixá-la rolar sem interferires na rota traçada.

Porco

Não te esqueças de que algo importante foi gerado aqui. Celebra a transição com alegria serena e mente aberta.

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