Runas: Quarta-feira, 7 de outubro

Uma runa de cada um dos quatro alfabetos

Esta é uma leitura de arquivo, mantida tal como foi publicada.

Thurisaz é o gigante e o espinho, e o poema anglo-saxónico é exato sobre o segundo: afiado para qualquer nobre, mau de agarrar, cruel para quem descansa no meio deles. A runa é uma força que funciona e fere quem lhe mexe sem cuidado. Hoje algo tem essa forma: uma defesa, um limite, um gume necessário. Usa-o e não te apoies nele. O espinho faz o seu trabalho por estar onde está, e não por ser segurado na mão.

Kaun é uma chaga: algo a infetar que vai ser descoberto tarde demais. A runa é desagradável e útil. Há hoje um pequeno problema que decidiste que não vale a pena levantar, e a razão por que não vale a pena levantá-lo é que ainda é pequeno. É exatamente essa a janela. Di-lo agora, enquanto ainda é um incómodo e não uma ferida.

Cealc é Calc com a estrutura de ramos duplicada, e isso esgota praticamente toda a descrição. Surge em séries rúnicas de manuscritos e em quase mais lado nenhum: sem estrofe, sem etimologia própria e sem presença em texto corrido. Raymond Page chamou a letras deste género pseudorrunas de antiquário, e Cealc é um caso em que a acusação se justifica. Hoje, procura a duplicação. Em algum lado estás a manter dois exemplares de algo que devia ser apenas um, e o prejuízo não é o espaço que ocupa, mas a atenção gasta a manter ambos sincronizados.

Ifín começou como Pín, uma letra criada a partir do latim pinus para que o irlandês conseguisse sequer escrever o P de Patricius. Mais tarde, os escribas decidiram que o quinto grupo devia ser uma série arrumada de vogais, retiraram-lhe o /p/ e deram-lhe outro nome. Uma solução que funcionava foi retirada em nome da simetria, e a necessidade original voltou logo a seguir. Hoje, algo teu está a ser reatribuído por motivos que nada têm a ver com se funcionava ou não, e podes dizê-lo em voz alta. A groselheira associada mais tarde ao nome chegou através de um trocadilho, por isso não procures aí o sentido.

Para o teu signo

A mesma leitura, interpretada para cada signo do zodíaco.

Carneiro

Tu és o espinho e o gigante, por isso hoje pisas terreno conhecido. O aviso da runa é especificamente para ti: o gume funciona enquanto fica na sebe, e fere-te primeiro a ti quando o apanhas para o usar.

Touro

Hoje vais manter um limite, e vais mantê-lo bem. A runa só acrescenta um lembrete: uma sebe não persegue ninguém. Fica onde estás e deixa que as pessoas encontrem o espinho sozinhas.

Gémeos

Vais argumentar a favor do limite em vez de o manteres. Thurisaz não se explica. Diz a única frase que marca onde está a sebe e depois não digas mais nada sobre isso.

Caranguejo

As tuas defesas têm arestas macias e as desta runa não. Hoje deixa um limite ser afiado e sem pedidos de desculpa. As pessoas que importam vão contorná-lo; as que o agarrarem iam fazê-lo de qualquer maneira.

Leão

Vais fazer do espinho um espetáculo. Não é um. A sebe funciona em silêncio e sem plateia. Hoje mantém o limite e dispensa o anúncio.

Virgem

Vais aparar a sebe até ela deixar de picar. Deixa-a estar. Thurisaz é cruel de agarrar de propósito, e um limite tornado confortável para toda a gente já não é um limite.

Balança

Hoje pede-se um gume que preferias negociar. Não há nada a negociar. Declara o limite uma vez e deixa o gigante descobrir sozinho que ele aguenta.

Escorpião

Sabes exatamente quão afiado consegues ser e guardas isso. Hoje gasta um pouco. O espinho usado de propósito, uma vez, é o que evita que mais tarde precises do gigante.

Sagitário

Vais entrar direito na sebe porque estavas a olhar para o horizonte. Hoje olha para os pés. O espinho fere quem lhe mexe sem cuidado, e a falta de cuidado é uma forma de velocidade.

Capricórnio

Manténs os limites como política e aplica-los como procedimento. Thurisaz é mais simples: um espinho que pica ao toque. Hoje deixa um limite ser imediato em vez de processual.

Aquário

Vais explicar o princípio por trás do limite. O gigante não quer saber do princípio. Hoje mantém o limite em si e deixa a explicação ficar na gaveta.

Peixes

Não tens espinhos, e hoje a runa empresta-te um. Usa-o. Um único gume afiado, guardado no sítio certo, é o que impede que te atravessem o resto.

Para o teu animal chinês

A mesma leitura, interpretada para cada animal do zodíaco chinês.

Rato

Contornas as sebes em vez de passares por elas, e hoje há uma no teu caminho por uma razão. Não a contornes. Descobre o que ela protege e se precisas mesmo de estar do outro lado.

Boi

Vais pôr-te à frente do gigante e aguentar a pressão. Fica antes atrás da sebe. Hoje é o espinho que faz o trabalho, e tu não tens de ser também o muro.

Tigre

Vais agarrar o espinho para provar que não dói. Dói. Hoje a força é real, e a runa é honesta sobre quem fere primeiro. Deixa-o ser afiado sem o testares.

Coelho

Tens mantido um limite brando e as pessoas têm-no atravessado. Thurisaz dá-te um limite duro para o dia. Usa-o uma vez e repara que ninguém morre.

Dragão

Vais enfrentar o gigante de caras porque é isso que fazes. Hoje não. A sebe aguenta sem estares à frente dela, e a runa recompensa quem deixou o espinho trabalhar.

Serpente

Guardas o teu gume escondido até ser preciso, e hoje é preciso. Mostra uma aresta, de relance e de propósito. O gigante junto à muralha não responde a mais nada.

Cavalo

Vais embater no espinho a toda a velocidade. Abranda exatamente no ponto onde a sebe começa. A runa não é um obstáculo para saltar; é uma linha para respeitar.

Cabra

Não tens sebe e tens pago por isso. Hoje planta uma. Um único limite, mantido sem pedidos de desculpa, trava mais do que um mês de cedências.

Macaco

Vais encontrar o buraco na sebe e passar por ele por diversão. Não o faças. Hoje o espinho está exatamente onde deve estar, e o caminho esperto à volta dele deixa-te nas mãos do gigante.

Galo

Manténs os limites com precisão e anuncia-los com precisão. Hoje dispensa o anúncio. Thurisaz pica ao toque e não manda aviso primeiro.

Cão

Guardas o portão e vais lutar lá com o gigante. Deixa a sebe lutar. Hoje a tua tarefa é manter o portão fechado, não sair ao encontro do que o está a empurrar.

Porco

Preferias que não houvesse espinho, e hoje há um. Deixa-o onde está. O conforto que queres depende do limite que estás inclinado a tirar.

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