Segundo decanato de Sagitário (10°–20°)
O segundo decanato de Sagitário é a face da Lua na ordem caldeia e pertence a Carneiro, e logo a Marte, na ordem da triplicidade. A sua carta na Golden Dawn é o Nove de Paus, o Senhor da Grande Força. Os planetas nesta posição revelam uma fé comprovada pela vivência prática, um coração guardado e uma resistência que ultrapassa reveses.
O peregrino ferido no caminho que continua a marcha, mais vigilante e mais seguro daquilo que tem valor.
Dons
- Resiliência perante contrariedades
- Lealdade firme a causas ou pessoas
- Fé enraizada no sentir profundo
- Instinto apurado para o perigo
- Coragem para defender convicções
- Força anímica que cresce com a experiência
Sombra
- Desconfiança excessiva face a recém-chegados
- Feridas antigas mantidas abertas
- Postura defensiva quanto a crenças
- Apreensão constante com o corpo e a segurança
- Travar batalhas que já chegaram ao fim
A face da Lua no centro do arqueiro
O segundo decanato de Sagitário abrange 10°–20° do signo, constituindo o coração do fogo mutável. Na ordem caldeia, esta face pertence à Lua. Na ordem da triplicidade, que faz transitar os três decanatos de cada signo pelos três signos do seu elemento, a face central de Sagitário cabe a Carneiro e por conseguinte a Marte.
Os dois regentes puxam o signo em direções contrastantes. A Lua carece de dignidade essencial clássica em Sagitário, mas na qualidade de senhora da face introduz emoção, memória e a perceção corporal num signo habituado a habitar o plano das ideias. Marte, através de Carneiro, acrescenta calor e prontidão para a luta. O resultado traduz-se numa convicção sentida nas entranhas e defendida com firmeza viva.
Se o primeiro decanato de Sagitário dispara a flecha, este vive com as consequências da partida: o caminho torna-se árduo, o tempo muda e a fé tem de suportar o contacto com a realidade. A astrologia lê esta face como a do peregrino e da guarda de fronteira: pessoas cujas certezas não são meras abstrações porque pagaram o preço por elas.
A figura velada e o Senhor da Grande Força
Nos Três Livros de Filosofia Oculta, impressos em 1533, Agripa descreve esta face como uma mulher em pranto envolta nas suas vestes, interpretando-a como tristeza e temor pela integridade do próprio corpo. As suas imagens procedem em larga medida do Picatrix, compêndio árabe de magia astral traduzido para latim no século XIII, onde a figura de cada decanato orientava a feitura de talismãs.
A imagem causa surpresa num signo de fogo reputado pelo seu otimismo, sendo a Lua quem aqui se pronuncia. Sob a confiança do arqueiro reside um corpo que recorda as dores sofridas e um coração que procura refúgio. O Livro T da Golden Dawn, da década de 1890, toma a mesma face noutra direção e intitula a sua carta Senhor da Grande Força. Ambas as figuras retratam a mesma realidade sob ângulos opostos: Agripa revela a mágoa sob a armadura, a Golden Dawn mostra a armadura ainda de pé. A força deste decanato consiste em permanecer no posto mesmo com receio.
Uma estrela decânica na noite egípcia
Antes do zodíaco, os decanatos eram trinta e seis grupos estelares cujos nasceres helíacos marcavam as décadas do calendário egípcio, ao passo que os seus nasceres noturnos mediam as horas. Cada decanato personificava uma divindade. Todos desapareciam do firmamento durante cerca de setenta dias por ano, período que o Livro de Nut descreve como uma permanência na casa de embalsamamento antes do renascimento no horizonte oriental. Os astrólogos helenísticos ajustaram os trinta e seis aos doze signos, a três por signo, tornando-se este no centro de Sagitário. As listas egípcias divergem entre monumentos, não havendo estrela que se possa nomear com certeza. O conceito de um astro que desce às trevas e retorna ajusta-se a esta face. O Sol atravessa-a sensivelmente entre 2 e 11 de dezembro, na escuridão crescente antes do solstício.
O Nove de Paus: a Lua em Sagitário
A Golden Dawn atribuiu o Nove de Paus a este decanato: Paus para o fogo, o Nove para a face central do signo de fogo mutável e a Lua como sua regente caldeia. No baralho Rider-Waite, um homem com a cabeça enfaixada apoia-se ao seu bastão e olha com prudência para o lado. Oito varas adicionais erguem-se atrás de si como uma paliçada.
A Lua justifica o penso na cabeça e o olhar vigilante. Trata-se de uma figura que já foi ferida e guarda essa lembrança, razão pela qual vigia com tanto zelo. Sagitário explica a razão de permanecer ali: acredita no que se encontra para lá da cerca. Em tiragens, a carta expressa perseverança na fase final de um esforço prolongado, a defesa de uma posição e o desgaste de sustentar a guarda por demasiado tempo. No sistema mais amplo da Golden Dawn, situa-se entre A Sacerdotisa para a Lua e A Temperança para Sagitário. Uma guarda a memória interior e a outra combina polaridades até que fiquem firmes.
O Sol ou planetas no segundo decanato de Sagitário
Com o Sol nestes graus, numa data sensivelmente entre 2 e 11 de dezembro, o teu idealismo tende a brotar da experiência e não de teorias abstratas. Podes ter tido de defender as tuas convicções desde cedo, ou de as reconstruir após uma perda, e aquelas que conservaste foram as que provaram solidez. És leal para com causas e pessoas, protetor com quem depende de ti e reservado antes de concederes confiança a quem ainda não deu provas.
A Lua na regência da face faz desta a faixa mais emotiva de Sagitário. O estado de espírito tem peso, tal como o corpo: o descanso, o alimento e um espaço seguro determinam a tua capacidade de luta. Marte, através de Carneiro, incute firmeza quando um princípio é colocado em causa, e um fôlego considerável.
Vários planetas neste decanato dotam o mapa de um forte pendor defensivo e notável resistência, amiúde canalizada para uma causa, uma fé ou uma comunidade. A Lua aqui posicionada beneficia da sua própria face, o que a tradição encara como dignidade acidental menor, enquanto Marte assegura a regência da triplicidade por via de Carneiro.
Como trabalhar com o segundo decanato de Sagitário
Verifica periodicamente se a ameaça contra a qual te resguardas continua presente. Este decanato prolonga a vigília muito depois de o perigo passar, e uma avaliação franca liberta forças para etapas seguintes. Trata do corpo como tratarias de um soldado em campanha longa: sono regular, comida quente e um abrigo que transmita segurança.
Identifica as convicções ganhas pela vivência e regista por escrito como as alcançaste; isso facilita a sua defesa serena e a sua revisão quando a vida traz novos dados. Permite a uma pessoa de confiança que atravesse a tua paliçada. Se lês tarot, estende o Nove de Paus e pergunta qual das varas às tuas costas vale a pena guardar e qual podes pousar. Os dias de dezembro em que o Sol percorre esta face convidam a rematar uma tarefa exigente em vez de iniciar um projeto novo.
Os planetas neste decanato
A face intermédia, 10°–20° de Sagitário, pertence à Lua na ordem caldeia e a Carneiro, signo de Marte, na ordem de triplicidade. A carta é o Nove de Paus, Senhor da Grande Força, mostrando uma figura ferida em guarda com um bastão entre vários. Um Sol nesta posição mantém-se fiel aos seus princípios sob pressão e tem firmeza quando posto à prova. A Lua acrescenta sensibilidade e mobilidade anímica; Marte confere combatividade. Vénus governa os termos de 12° a 17°, suavizando a postura defensiva deste decanato.
A face intermédia, de 10° a 20° de Sagitário, pertence à própria Lua na ordem caldeia e a Carneiro, signo de Marte, na ordem da triplicidade. Ao deter a sua própria face num signo de Júpiter, a Lua ganha resistência e domínio próprio. A carta é o Nove de Paus, Senhor da Grande Força, uma figura com ligaduras a guardar uma paliçada de varas, vigilante e em pé. Uma Lua aqui resiste, sustenta esforços prolongados e defende as suas convicções. A mulher em pranto coberta de mantos retratada por Agripa introduz uma nota de pesar e receio. Os termos de Vénus entre os 12° e os 17° suavizam esta atitude.
A face intermédia, dos 10° aos 20° de Sagitário, pertence à Lua na ordem caldeia e a Carneiro, signo de Marte, na ordem da triplicidade. A Lua acrescenta sensibilidade e instinto à busca, enquanto Carneiro injeta combatividade. Mercúrio aqui reúne experiências de muitas fontes e defende as suas convicções com tenacidade. A carta é o Nove de Paus, Senhor da Grande Força, uma figura com ligaduras a guardar uma fileira de varas. Mercúrio revela aqui resistência no debate, mesmo perante o cansaço. Vénus governa os termos dos 12° aos 17°, iniciando-se aos 17° os termos do próprio Mercúrio.
A face central, dos 10° aos 20° de Sagitário, cabe à Lua na ordem caldeia e a Carneiro e Marte na ordem da triplicidade. Os termos da própria Vénus situam-se dos 12° aos 17°, assinalando o setor onde se encontra mais fortalecida no signo. A Lua instila intuição e inquietação: esta Vénus recusa estagnar, tanto no plano afetivo como no geográfico. A carta correspondente é o Nove de Paus, Senhor da Grande Força, retratando uma figura ferida que guarda vigilantemente uma paliçada, símbolo de lealdade tenaz. A figura feminina velada e em pranto de Agripa sugere nostalgia oculta sob a alegria aparente.
A face central, dos 10° aos 20° de Sagitário, pertence à Lua na ordem caldeia e a Carneiro, domicílio de Marte, na ordem da triplicidade. A ligação a Carneiro fortalece Marte neste setor, convertendo-o no guardião da fronteira: tenaz, autónomo e vigilante. A carta associada é o Nove de Paus, Senhor da Grande Força, retratando uma figura com ligaduras ainda de sentinela diante das suas varas. Quem tem Marte aqui resiste aos desaires. A Lua instila sensibilidade, sendo o reverso a desconfiança que encara qualquer forasteiro como ameaça.
A face central, de 10°–20° de Sagitário, pertence à Lua na ordem caldeia e a Carneiro, domicílio de Marte, na ordem da triplicidade. Os termos de Júpiter encerram-se a 12°, seguindo-se Vénus e Mercúrio. A carta associada é o Nove de Paus, Senhor da Grande Força, com um vigilante ferido mas firme a guardar uma paliçada. Júpiter sustenta aqui as suas convicções perante a oposição, acrescentando a Lua zelo protetor pelos seus pares. A figura feminina velada na imagem de Agrippa recorda a prudência e o cuidado necessário com o corpo.
A face intermédia, de 10°–20° de Sagitário, cabe à Lua na ordem caldeia e a Carneiro, signo de Marte, na ordem da triplicidade. Saturno assume aqui uma postura defensiva em torno das suas convicções, pronto a combater por elas. A carta é o Nove de Paus, Senhor da Grande Força, um guerreiro ferido em vigília perante uma paliçada de varas. Saturno demonstra aqui tenacidade e lealdade firme a princípios, tendo por lição reconhecer quando uma contenda terminou. Os termos de Vénus entre os 12° e os 17° introduzem calor afetivo.
A face do meio, de 10° a 20° de Sagitário, pertence à Lua na ordem caldeia e a Carneiro, signo de Marte, na ordem da triplicidade. A Lua acrescenta emoção e Marte determinação combativa, defendendo Urano aqui a sua liberdade de crença com fervor pessoal. A carta correspondente é o Nove de Paus, Senhor da Grande Força, com uma figura vigilante a guardar uma barreira de varas. Mostra resiliência e a necessidade de reconhecer quando a vigilância se converte em desconfiança defensiva.
De 10° a 20° de Sagitário (nascimentos entre cerca de 1974 e 1980), a face pertence à Lua na ordem caldeia e a Marte, através de Carneiro, na ordem das triplicidades. A Lua acrescenta sensibilidade e anseio à busca, e Marte traz espírito combativo. A carta é o Nove de Paus, Senhor da Grande Força, uma figura vigilante perante uma paliçada de estacas. Os astrólogos identificam aqui convicções defendidas com vigor, ativismo e uma prudência nascida de desilusões passadas.
O segundo decanato, 10°–20° de Sagitário, abrange os nascimentos de 1999 até 2004. A Lua rege a face na ordem caldaica e Marte, através de Carneiro, na ordem da triplicidade. A carta associada é o Nove de Paus, o Senhor da Grande Força, que mostra um vigia ferido a guardar o seu posto com firmeza. Nascida na viragem do milénio e sob o impacto dos acontecimentos de 2001, esta divisão revela combatividade nas suas convicções e prontidão para defender causas nobres.
Perguntas para refletir
- Que convicções conquistei pela via dura, e quanto me custaram?
- O que continuo a defender que já não necessita de proteção?
- De que forma o meu corpo me avisa de que estou de sentinela há demasiado tempo?
- A quem permitiria ultrapassar as minhas defesas, e em que condições?
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